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CURIOSIDADES SOBRE O CARNAVAL PERNAMBUCANO

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carnaval pernambucano

Esse ano o Carnaval vai ser diferente. Vamos levar a folia para nossas casas, brincar com segurança e sem aglomeração. Mesmo que não tenha festa na rua, a data continua em nossos corações, nas nossas veias. Isso porque somos pernambucanos, crescemos com essa cultura riquíssima e vamos deixá-la viva em 2021, ainda que seja de um jeito bem diferenciado. Para ajudar com essa missão, hoje vamos falar sobre as curiosidades do Carnaval pernambucano.

São tantos ritmos, histórias, personagens e estilos diferentes que nosso Carnaval tem! Será que você conhece os detalhes por trás deles? Dos caboclos de lança até os papangus de Bezerros, é muita riqueza em nossa cultura. Continue sua leitura para conhecer o Carnaval Pernambucano!

origem do carnaval

Como surgiu o Carnaval no Brasil

O Carnaval no Brasil teve origem no Entrudo, que chegou ao país em 1641, no Rio de Janeiro, junto aos portugueses. A festa acontecia nos três primeiros dias antes da quaresma e era dividido em dois tipos: popular e familiar. O entrudo popular era realizado nas ruas e havia o costume de se jogar água, ovos e farinha entre as pessoas. Já o familiar acontecia nas pernas e o costume era jogar “limão-de-cheiro” uns nos outros. 

Há relatos históricos sobre a realização do entrudo em Pernambuco em meados do século 16. No Rio de Janeiro, em meados do século 19, a prática chegou a ser considerada crime e proibida nas ruas. Foi assim que surgiram os bailes em clubes e teatros.

O primeiro baile de carnaval do Brasil aconteceu no Largo do Rocio, na cidade do Rio de Janeiro, em 1840. Ele foi organizado por uma atriz italiana que pretendia trazer ao Brasil algumas influências do carnaval veneziano.

frevo carnaval pernambucano

Como surgiu o Frevo

O frevo é um dos ritmos mais importantes do carnaval pernambucano. O processo de criação do frevo tem início na cidade do Recife nas décadas finais do século 19 e segue até as primeiras décadas do século 20. No início dos anos 1990, foi evidenciado o primeiro registro impresso da palavra “Frêvo”, citado no Jornal Pequeno do Recife de 09 de Fevereiro de 1907, no qual divulgava o repertório de marchas que foram executadas durante o ensaio do Clube Empalhadores do Feitosa.

O frevo nasce em um contexto histórico no qual Pernambuco e, especialmente, o Recife vivia um processo de modernização via industrialização e urbanização. Além disso, dois importantes acontecimentos históricos ocorridos no Oitocentos, a Abolição da Escravidão (1888) e a Proclamação da República (1889), contribuíram para as mudanças sociais, políticas, econômicas e sociais que vinham ocorrendo no período e que também concorreram para o processo de criação sócio-cultural do frevo.

Enquanto gênero musical, em sua formação primeira, original, o frevo sofreu influência de diversos ritmos: da modinha, da quadrilha, do dobrado, da polca, do maxixe, da valsa e do tango. Já enquanto passo, o gingado da capoeira foi uma grande influenciadora.

Mesmo depois de mais de 100 anos de história, o frevo como música e dança faz ferver as ruas do carnaval pernambucano e continua inspirando novos bailarinos encantados por essa dança popular tão significativa.

maracatu carnaval pernambucano

Conheça o Maracatu e seus tipos

O maracatu tem origem afro-brasileira e surgiu no estado de Pernambuco no século 18. Tem a sua expressão mais antiga datada de 1711. Suas origens são incertas, mas relacionam-se com o candomblé e com a coroação dos reis do Congo.

O rei do Congo foi uma figura que surgiu para administrar os povos negros trazidos para o Brasil a fim de serem escravizados. Dessa forma, os colonizadores portugueses incentivavam as homenagens prestadas e utilizavam a coroação como técnica de dominação.

Com o seu fim, surge o cortejo, que representa uma corte simbólica e que passa a fazer parte do carnaval pernambucano; o mesmo aconteceu com o frevo.

Maracatu Nação:

Ele é feito em cortejo, onde são conduzidas bonecas negras feitas de madeira e ricamente vestidas, as chamadas calungas. Essas bonecas místicas são carregadas pelas damas do paço e, apesar da sua importância, o rei e a rainha são os seus personagens principais da festa. Isso porque a festa está relacionada à coroação dos reis do Congo.

Maracatu Rural:

É típico de Nazaré da Mata, município localizado na Zona da Mata de Pernambuco. Seus participantes são basicamente trabalhadores rurais. Há uma figura bastante importante, que é o caboclo de lança, sendo o personagem de destaque. Ele se veste de forma bastante característica, com um grande volume de fitas coloridas na cabeça, uma gola coberta de lantejoulas e uma flor branca pendurada na boca.

A origem dos blocos de rua

Os blocos de rua brasileiros surgiram na segunda metade do século 19 e contavam com a participação de membros das elites urbanas. Neles desfilavam pessoas fantasiadas, carros decorados e bandas musicais. O primeiro bloco de carnaval do Brasil foi o “Congresso das Sumidades Carnavalescas”, fundado no Rio de Janeiro, em 1855. O mais curioso é que um dos seus fundadores foi o escritor José de Alencar. Hoje em dia não se pensa em carnaval pernambucano sem os blocos de rua.

galo da madrugada carnaval pernambucano

O Galo da Madrugada

O Galo da Madrugada é um bloco carnavalesco que sai todo sábado de carnaval do bairro de São José, na região central da cidade do Recife. Desde 1995 ele é considerado pelo Guinness Book (o livro dos recordes) o maior bloco de carnaval do mundo.

O bloco nasceu em 1978 no bairro de São José com o nome de “Clube de Máscaras Galo da Madrugada”, tendo sido criado por um grupo comandado por Enéas Freire. A ideia era resgatar o caráter popular de rua do carnaval pernambucano e valorizar a cultura local, como o frevo, maracatu, ciranda, caboclinho e o manguebeat.

Os Bonecos de Olinda e Homem da Meia-Noite

A tradição de construir bonecos gigantes surgiu na Europa, provavelmente durante a Idade Média. O costume chegou ao Brasil junto com os portugueses em festividades religiosas na figura de santos católicos.

Em Olinda, a brincadeira começou com a histórica do “Homem da Meia-Noite”, em 1931. A lenda é que todos os dias, exatamente à meia-noite, um homem muito bonito seguia a pé pela Rua do Bonsucesso. A fama, então, virou brincadeira de carnaval pernambucano quando foi feito um boneco bem grande, todo elegante, de terno, gravata e chapéu, para passar à meia-noite. Até hoje o boneco do homem é responsável por dar início ao carnaval de Olinda e fazer o mesmo percurso do Homem da Meia-Noite.

Os Papangus de Bezerros

Datado do século XIX, o Carnaval de Bezerros é considerado um dos carnavais mais tradicionais de Pernambuco. O papangu, símbolo do Carnaval de Bezerros, surgiu no ano de 1881, através de uma brincadeira de familiares dos senhores de engenhos, que saiam mascarados e mal vestidos para visitar amigos nas festas de entrudo, e comiam angu. As crianças passaram então a chamar os mascarados de “papa-angu”.

A partir de 1990, com o incentivo da Prefeitura Municipal de Bezerros, os papangus ganharam força e surgiram no cenário nacional. Passaram a ter fantasias luxuosas, máscaras mais sofisticadas, confeccionadas em gesso e pintadas com tintas especiais. Hoje é uma das festas que mais reúne foliões no carnaval pernambucano.

Sábado de Zé Pereira

Em 1919, o morador de Belém chamado de Gumercindo Pires, criou o personagem, após ouvir as histórias do padre belga Norberto Phallampin que passou a morar na cidade e celebrar missas na região. O religioso contava que utilizava bonecos grandes para chamar a atenção dos fiéis e convencê-los a assistirem às missas. 

Pensando nisso, o Gumercindo resolveu “tirar” os bonecos do sagrado e levar para o profano, criando assim o personagem e utilizando no Carnaval da cidade. O nome foi dado em homenagem a um português conhecido por José Nogueira de Azevedo Paredes, comerciante estabelecido no Rio de Janeiro em meados do século 19, que tinha no sangue as raízes e alegorias carnavalescas de sua terra. Hoje no carnaval pernambucano, o Sábado de Zé Pereira é sinônimo de Galo da Madrugada. 

Uma curiosidade é que, diferentemente dos bonecos gigantes vistos no Recife e em Olinda, os de Belém não incluem imagens de figuras conhecidas ou artistas, são sempre personagens criados pelo imaginário dos bonequeiros.